Medalhas atrás de medalhas. Subir ao pódio, cantar o hino e sorrir. Um pico de fama a cada quatro anos. Assim é – uma parte – da vida dos atletas de elite que se tornam deuses no maior palco desportivo do mundo. Mas esta vida será vida pautada pela perfeição? A história de vários protagonistas já demostrou que esses pequenos momentos de êxito e glória escondem anos de treinos extenuantes. Amiúde, o pequeno grande monstro que muitos queriam esconder acaba por aparecer. A saúde mental é, cada vez mais, um tema discutido. Atletas como Michael Phelps e, entre tantos outros, Simone Biles sabem o que é descer às profundezas do inferno para depois voltar a subir ao Olimpo. E querem dizer a quem os ouve: “Não há problema em pedir ajuda”.
“Prefiro ter a oportunidade de salvar uma vida do que ganhar outra medalha de ouro porque isto é muito mais importante. Perdemos demasiados atletas olímpicos para o suicídio. Não quero perder mais nenhum membro da minha família olímpica.” Quem lê esta frase não fará, de imediato, uma associação a Michael Phelps. Vinte e oito medalhas olímpicas. Dois bronzes, três pratas e 23 ouros em quatro edições dos Jogos Olímpicos: Atenas, Pequim, Londres e Rio de Janeiro. É até hoje o atleta mais medalhado de sempre. Um peso pesado da natação que inscreveu o nome na lista dos mais notáveis.
Hoje, Michael Phelps é muito mais do que os números mostram. O primeiro contacto com as piscinas aconteceu aos sete anos, para lutar contra um transtorno de défice de atenção. Cedo mostrou qualidade e, aos 15 anos, tornou-se no atleta mais novo em 68 anos da equipa olímpica dos Estados Unidos e esteve em Sidney para se estrear em Jogos Olímpicos. Não houve medalhas, mas nada podia fazer prever o que estava por vir.

Por trás da glória, as fragilidades
Quatro anos mais tarde, Michael Phelps saiu da Grécia como uma das grandes figuras dos jogos: arrecadou seis medalhas de ouro e duas de bronze e, por pouco, não igualou o recorde de Mark Spitz. Pequim só confirmou a lenda: mais oito medalhas.
O nadador norte-americano explicou como se sentia, em entrevista à CNN, em 2018, a competir com atletas mais experientes e mais velhos. “Competir foi uma das minhas coisas favoritas. Eu era um tubarão e cheirava sangue na água e continuava.” Apesar da mentalidade, Michael Phelps já lidava com problemas de depressão e ansiedade.
Londres, 2012, apenas confirmou o que já se sabia: Michael Phelps ganhou mais seis medalhas e ultrapassou a antiga ginasta da União Soviética Larissa Latynina (19 medalhas olímpicas), tornando-se no maior atleta olímpico de sempre. No entanto, o sucesso acabou por trazer à superfície o monstro que há muito vivia na cabeça do nadador.
Jorge Silvério, psicólogo desportivo há mais de três décadas e provedor do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), explica o que passa na mente de um desportista tão mediático: “Atletas são seres humanos. Obviamente estão sujeitos ao mesmo tipo de perturbações ou problemas mentais que as pessoas que não são atletas. Sendo que ainda têm essa agravante de terem um conjunto de coisas que fazem parte da vida desportiva, o que pode agravar esses quadros.”

Reforma, alcoolismo e pensamentos suicidas
“Ao ir para Londres, não queria estar de todo relacionado com a natação. Pessoalmente, penso que tive muitas dificuldades em ultrapassar os quatros anos, após 2008”, disse o nadador, após terminar a carreira. Depois da capital britânica, o campeão olímpico confirmou a reforma e os problemas começaram a surgir. “No caso de Phelps o que aconteceu foi mais uma depressão em virtude de tudo aquilo que foi a vida desportiva dele e de exigência que a natação provoca”, comenta Jorge Silvério. E continua: “A natação foi o primeiro desporto em que trabalhei. A natação e a ginástica são dos desportos mais exigentes, quer no número de treinos, quer na intensidade, em relação a todos os outros. Obviamente que os atletas que praticam estes desportos estão ainda mais sujeitos e propensos a terem problemas de saúde mental.” O nadador revelou que há muito que tinha pensamentos suicidas. “Depois de participar em Jogos Olímpicos, caí sempre em depressões. Não queria mais fazer parte do desporto, não queria estar vivo”, disse em 2018.
Em 2014, Michael Phelps foi preso, depois de ter sido apanhado a conduzir sob o efeito de álcool. Alguns anos mais tarde, o antigo atleta confessou ter mergulhado numa depressão severa e que sentia estar a perder controlo da própria vida. “Coloquei-me numa espiral. Penso que foi mais um sinal do que outra coisa qualquer… De que tinha de ter alguma coisa sob controlo, o que quer que fosse. Olho para essa noite e vejo que aconteceu por uma razão.”
Jorge Silvério acredita que o que aconteceu a Michael Phelps tornou-se numa consequência normal: “Em função daquilo que foi acontecendo na carreira de Michael Phelps, a determinada altura, a depressão fez sentido, em função de toda a pressão a que esteve submetido.”
O atleta acabaria por ir para uma clínica de reabilitação, onde realizou um programa de 45 dias e deixou de beber. Um passo que o recolocou no caminho de novos Jogos.
Fim da carreira e luta contra a depressão
A detenção teve um efeito forte em Michael Phelps. A “Bala” de Baltimore pediu finalmente ajuda. E assim começou a caminhada até ao Rio de Janeiro. Michael Phelps foi pai e as prioridades mudaram. Na cidade carioca, o nadador não desapontou: a lenda das piscinas conquistou mais seis medalhas: cinco ouros e uma prata. “Estou orgulhoso por ter sido capaz de me despedir assim. Não podia dizer isso há quatro anos. São 24 anos no desporto. Foi muito especial. Estou orgulhoso. O fim é também o começo de algo novo”, partilhou.

A vida pós natação trouxe novos projetos. O antigo atleta criou a Michael Phelps Foundation. Hoje, a rotina diária passa por criar três crianças e dar discursos motivacionais. O objetivo é claro: falar sobre e lutar contra a depressão. Depois da reabilitação, ao antigo campeão revelou que falar das emoções se tornou mais fácil: “Disse tantas vezes a mim próprio: porque é que não fizeste isto há dez anos? Mas eu não estava preparado. Estes momentos, estes sentimentos e estas emoções são melhores a anos-luz do que ganhar uma medalha de ouro olímpica.” E deixou uma garantia: “Estou extremamente agradecido por não ter acabado com a minha própria vida.”
Simone Biles: do céu ao inferno e renascer em Paris
Desde os 13 anos que o fenómeno se fazia antever. Ainda não competia como profissional e já se sabia que seria a grande “Next Big Thing” da ginástica artística mundial. Simone Biles nasceu com uma história que lhe colocava possibilidades de sucesso ínfimas, mas o caminho trouxe-lhe um ginásio onde pôde ser mais e melhor todos os dias.
A modalidade chegou à vida da texana aos seis anos. A Bannon Gymnastics foi o ponto de partida. Estreou-se nas primeiras competições nacionais no nível de júnior e as prestações acabaram por chamar a atenção de Marta Karolyi, coordenadora da equipa principal de ginástica dos Estados Unidos.

A estreia como sénior aconteceu em 2013. Uma estreia pontuada por uma queda na trave, mas que acabaria por lançar aquela que é considerada por muitos a melhor ginasta de todos os tempos. Poucos meses depois, Simone Biles participou no primeiro Mundial da carreira e deixou poucas dúvidas sobre a sua qualidade: qualificou-se não só para a final do All-Around como também para as quatro disciplinas da ginástica artística feminina (trave, barras assimétricas, solo e salto do cavalo).
Desde Shanon Miller, em 1994, que algo semelhante não acontecia e o fenómeno acabou mesmo por vencer a final da competição individual do All-Around. O sucesso da norte-americana manteve-se nos campeonatos mundiais de 2014 e 2015, em Nanning, na China, e Glasgow, na Escócia, com novos triunfos no concurso geral e em disciplinas como a trave e solo.
Simone Biles tornou-se numa vencedora em série e foi apenas uma questão de tempo até garantir uma vaga na equipa feminina de ginástica artística dos Estados Unidos (EUA), nos Jogos Olímpicos.
Rio de Janeiro: a confirmação das expectativas
A cidade brasileira recebeu a elite desportiva mundial e para além do regresso de Michael Phelps, o mundo observava com atenção os passos da nova sensação da ginástica. As expectativas foram confirmadas: Simone Biles entrou em prova e não deixou nada por fazer.
A primeira medalha de ouro surgiu na prova por equipas. De seguida, a ginasta sagrou-se campeã olímpica do evento geral individual por grande margem e juntou ainda mais duas medalhas de ouro: no solo e no salto. Na trave alcançou o bronze. Ao sair do Rio de Janeiro, Simone Biles emergiu como uma das grandes figuras das olimpíadas.
Tóquio: o palco global como plataforma de ajuda
Depois de anos com a fama de peso pesado da ginástica consolidada, Simone Biles regressou aos Jogos Olímpicos. Uns jogos diferentes. A pandemia de covid-19 adiou a maioria das provas desportivas e, por isso, a capital japonesa recebeu as olimpíadas em 2021 numa edição que ficaria marcada por um debate que há muito se evitava.
No plano desportivo, esperava-se uma equipa norte-americana demolidora. O que aconteceu foi algo bem diferente. A Rússia saiu vencedora numa prova em que Simone Biles acabaria por não competir. As norte-americanas ficaram em segundo lugar e foi anunciado que a ginasta estaria fora durante uma boa parte dos Jogos.
O psicólogo Jorge Silvério explica o que se poderá ter passado na cabeça da ginasta: “Em relação à Simone Biles, penso que terá havido uma coisa que não se fala muito e que as pessoas que não estão muito ligadas ao desporto, mesmo à ginástica, não percebem, que é ela sentir, sobretudo nos Jogos Olímpicos, um fenómeno que pode pôr em causa a saúde física dela e mesmo a própria vida.” Como especifica: “A precisão que é preciso para fazer alguns movimentos, basta haver uma ligeira diferença, uma ligeira falha para ela – e, infelizmente, já aconteceu – partir o pescoço e morrer. Aí estamos a falar da própria vida em risco. E é um fenómeno muito específico da ginástica: que é sentir que não se está a controlar exatamente com precisão os movimentos que precisa de fazer.”

A texana acabaria por não participar na prova geral individual e nas competições de salto e solo. No início de agosto, Simone Biles anunciou que iria estar na prova de trave olímpica. A ginasta competiu e ainda foi a tempo de conquistar a segunda medalha em Tóquio: depois da prata, o bronze.
As razões para a desistência da norte-americana não foram motivo de vergonha. Simone Biles falou abertamente de como sentiu “o peso do mundo nos ombros” e explicou sofrer de problemas relacionados com a saúde mental.
Nas redes sociais, a ginasta explicou o que aconteceu: “Para os que dizem que desisti. Não desisti. A minha mente e o meu corpo simplesmente não estão em sintonia. Penso que há quem não perceba quão perigoso é competir nestas condições”. Sem arrependimentos, Simone Biles colocou o tema da saúde mental na mesa. E obrigou o mundo a falar sobre ela sem complexos.
Revelações sobre saúde mental
“Digo para colocarem a saúde mental primeiro. Se não o fizerem, não vão desfrutar do vosso desporto e não vão ter tanto sucesso como desejam. Por isso, não faz mal ficar de vez em quando fora das grandes provas para nos focarmos em nós próprios, porque mostra realmente o competir e pessoas que verdadeiramente são”.
Ao contrário de Michael Phelps, que nunca quis falar de depressão por vê-la como uma fraqueza, Simone Biles permitiu-se a ser vulnerável. Jorge Silvério aplaude a decisão da norte-americana: “Acho que fez muito bem em ter parado porque protegeu não só a saúde mental, mas protegeu também a saúde física e integridade física dela.”
Biles foi alvo de vários comentários racistas e sexistas, especialmente por parte dos meios de comunicação russos, que a acusaram de utilizar drogas para competir. Em resposta, a ginasta anunciou que sofria de um transtorno de défice de atenção e que tomava ritalina, prescrita por médicos, para poder lidar com a situação.
A primeira explicação para a desistência de Simone Biles prendia-se com um conceito até desconhecido na ginástica: os ‘twisties’. Um termo que corresponde à perda de orientação espacial enquanto se compete. “Não consigo distinguir, literalmente, o que é estar em cima ou em baixo. É o sentimento mais louco de sempre. Não ter controlo de um único centímetro do teu corpo. O que é ainda mais assustador já que não tenho ideia de onde estou quando estou no ar. Também não faço ideia de como vou aterrar. Ou no que vou aterrar”, explicou.
Outro acontecimento traumático foi o caso público de Larry Nassar, médico da equipa olímpica de ginástica artística que acabou por ser preso e condenado por abuso sexual de centenas de raparigas ao longo das últimas décadas.
Biles assumiu publicamente ter sido uma das raparigas abusadas por Nassar. Em setembro de 2021, a atleta apresentou-se perante um comité do Senado norte-americano e acusou: “Falharam-nos. Para ser clara, culpo Larry Nassar e também culpo um sistema inteiro que permitiu e perpetrou os seus abusos. A Federação Americana de Ginástica e o Comité Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos sabiam que eu era abusada pelo médico da equipa, muito antes de eu saber que eles sabiam”, declarou em lágrimas.

Paris, cidade de luz para o renascer da fénix
O ano de 2024 foi de redenção para Simone Biles. A ginasta nunca deixou de falar dos problemas que a assolavam e de anos de trauma devido às ações de Larry Nassar. Ainda assim, comprometeu-se a regressar a uns novos Jogos Olímpicos.
E Paris parou para assistir ao renascer da fénix. Chegar, ver e vencer. A equipa norte-americana regressou ao ouro. Biles voltou a conquistar o lugar mais alto do pódio no All-Around individual. O movimento “The Biles” voltou a ser executado com segurança.
Arrecadou quatro medalhas, três ouros e uma prata. Biles saiu da cidade luz com resultados desportivos próprios de um ícone, sem deixar cair a temática da saúde mental.
Jorge Silvério louva a coragem dos dois atletas de elite que permitiu abrir caminho a muitos outros. “Acabou por ser muito importante esses dois atletas falarem. Seguiu-se a Osaka no ténis, enfim, apareceram uma série de atletas extremamente mediáticos que falaram sobre aquilo que estavam a passar. Tornou-se mais fácil porque esses atletas abriram o caminho a que se pudesse falar dos problemas de saúde mental de uma forma mais livre”, conclui.
O caso particular de Portugal
No contexto português, a problemática da saúde mental apresenta especificidades que exigem uma análise atenta, sobretudo perante os constrangimentos estruturais ainda existentes. Apesar do aumento do discurso público sobre a importância da saúde mental – intensificado após a pandemia -, a distância entre falar e agir permanece significativa.
A implementação de políticas e práticas eficazes continua aquém das necessidades identificadas pelos profissionais e pelos próprios atletas. Esta realidade é confirmada pelo psicólogo do desporto Jorge Silvério, cuja experiência de mais de 30 anos permite compreender de forma ampla as fragilidades do sistema desportivo nacional. Desde logo, Jorge Silvério sublinha que “os problemas de saúde mental atingem atletas de todos os níveis competitivos, não apenas os que estão sujeitos à pressão mediática”.
O especialista declara que “os atletas não são imunes, não vivem numa bolha”, e reforça que “estes fazem parte de uma sociedade que apresenta, em Portugal, índices elevados de ansiedade e depressão”.
Embora ainda não existam estudos nacionais de grande escala sobre o tema, o terapeuta indica que “as investigações internacionais apontam para prevalências semelhantes – ou até superiores – na população desportiva devido a fatores específicos como lesões, exigências competitivas ou transições de carreira.”
A transição da formação para o profissionalismo, particularmente difícil em Portugal, destaca-se como uma etapa crítica. Jorge Silvério chama a atenção para o facto de apenas cerca de “1% dos jovens atletas atingir o nível profissional”. A maioria acaba por interromper, abruptamente, o projeto desportivo. O psicólogo explica que “existe uma rede de apoio, como seja clubes, treinadores, famílias, etc., que alimenta expectativas elevadas, mas quando o objetivo falha, de repente, o atleta é um bocadinho abandonado”. A forma como estes jovens ficam “entregues a si próprios”, depois de serem dispensados, provoca desorientação que leva aos problemas emocionais significativos.
Carreira desportiva e o percurso académico
Outro desafio historicamente associado ao desporto em Portugal é a dificuldade na conciliação entre a carreira desportiva e o percurso académico.
Silvério afirma que sempre observou esta problemática desde o início da sua carreira, referindo-se à “grande dificuldade de conciliar a parte desportiva com a parte escolar”.
A criação das Unidades de Apoio ao Alto Rendimento Escolar, há cerca de uma década, representa um progresso importante, permitindo maior flexibilidade nos horários, possibilidade de aulas online ou adiamento de avaliações. No entanto, estes mecanismos ainda não abrangem todos os atletas e dependem da sensibilidade das instituições envolvidas. Projetos-piloto iniciados no Ensino Superior representam um avanço, mas ainda é insuficiente face às necessidades reais.
Escassez de psicólogos especializados
No que diz respeito ao apoio psicológico, Jorge Silvério identifica uma lacuna estrutural profunda: a escassez de psicólogos especializados em desporto em Portugal.
O psicólogo admite que, depois de mais de 30 anos de profissão, “não houve a evolução que achava que deveria ter”. Apesar de a saúde mental ser discutida de forma crescente, “a diferença entre o falar e as ações ainda é muito grande”. A maioria dos clubes e federações continua sem integrar psicólogos do desporto, conduzindo a uma intervenção predominantemente “remediativa”, centrada no problema depois de já ter surgido, tal como o próprio descreve: “é quase o bombeiro que vai apagar um fogo”.
Para Jorge Silvério, “o caminho deveria ser de abordagem preventiva, iniciada na formação”. E realça que “o rendimento desportivo resulta da combinação de quatro fatores: físico, técnico, tático e mental. O especialista adverte que este último continua fortemente negligenciado no contexto nacional. “Se a vertente psicológica fosse trabalhada desde cedo, os atletas desenvolveriam estratégias mais eficazes para lidar com adversidades ao longo da carreira e, também, a percentagem de jovens que alcança o profissionalismo poderia ser maior”, acredita.
Foco excessivo no resultado
Ao refletir sobre a cultura do desporto em Portugal, Jorge Silvério considera, também, que ainda existe uma valorização excessiva do resultado em detrimento do processo. Para exemplificar este desequilíbrio, recorda o caso do atleta Nelson Évora, e lembrou que poucos sabem qual foi a classificação do atleta na primeira participação olímpica. “No entanto, esta experiência foi essencial para mais tarde se tornar campeão. Esta observação reforça a necessidade de promover uma cultura que reconheça o percurso e não apenas a conquista final.”
O terapeuta advoga que “a saúde mental, no desporto português, enfrenta desafios estruturais significativos”. A falta de acompanhamento especializado, a dificuldade em conciliar vida académica e carreira desportiva, bem como a ausência de políticas preventivas e o foco excessivo no resultado continuam a marcar o panorama nacional. Como defende Jorge Silvério, Portugal encontra-se num ponto decisivo, em que é urgente passar “das palavras à ação”, de modo a garantir não apenas o desempenho competitivo, mas o bem-estar integral dos atletas.