
A Rapa das Bestas de Sabucedo é uma das mais emblemáticas manifestações do património cultural imaterial da Galiza e um dos poucos rituais europeus em que a relação entre o Homem e um animal em estado semisselvagem se mantém praticamente inalterada ao longo dos séculos. Uma tradição captada pela câmara de Afonso Caetano.

Todos os anos, no início de julho, centenas de garranos que vivem em liberdade nas serras envolventes são conduzidos até à aldeia para serem identificados, desparasitados e marcados. No curro, os tradicionais aloitadores imobilizam os cavalos apenas com a força do corpo, sem recurso a cordas ou instrumentos, numa demonstração de técnica, coragem e profundo conhecimento do comportamento animal.
Embora Sabucedo seja hoje o rosto mais conhecido desta tradição, a rapa das bestas é um ritual comum a várias serras galegas, onde continua a cumprir uma importante função de maneio dos cavalos em liberdade e de preservação de uma raça autóctone. Mais do que um espetáculo, trata-se de uma prática comunitária que reforça a identidade local e perpetua uma forma ancestral de ocupação da montanha.
Num tempo em que muitas paisagens rurais enfrentam o abandono, estes cavalos continuam a desempenhar um papel ecológico relevante, contribuindo para o controlo da vegetação e para a redução do risco de incêndios, demonstrando que tradição, conservação da natureza e gestão sustentável do território podem caminhar lado a lado.












