É janeiro, um período considerado de época baixa no cricket, devido às condições atmosféricas do inverno, que não são as mais propícias à prática da modalidade. Há um misto de nervosismo, curiosidade e desconfiança nas expressões dos sete jogadores de cricket que aguardavam ansiosamente na sala de espera da Malo Dental, uma clínica dentária em Alvalade. Esta era a primeira vez que alguém tinha demonstrado interesse em falar sobre o desporto que tanto os apaixona. “Estamos prontos para dar a conhecer o cricket”, diz Saqib Younas, de 39 anos, praticante da modalidade há 25.
Saqib é natural do Paquistão, já passou pelo Dubai, pela Arábia Saudita e o cricket sempre o acompanhou. Quando chegou a Portugal, há dois anos, encontrou uma realidade diferente daquela a que estava habituado. “Aqui não há tantas infraestruturas como no Dubai ou na Arábia Saudita, que estão muito mais desenvolvidos nesse aspeto”, lamenta. Hafiz Mahmood, 44 anos, compatriota paquistanês de Saqib, concorda com o colega: “O principal problema, neste momento, é não haver nenhum campo de cricket em Lisboa.”
Em Portugal, existem atualmente três campos para a prática do cricket: no Porto, em Miranda do Corvo e em Santarém. Das cerca de 25 equipas que a Federação Portuguesa de Cricket estima existirem, mais de 90% estão localizadas na cidade de Lisboa, o que significa que o campo mais próximo para a prática da modalidade se situa em Santarém, mais concretamente em Almoster, o que representa quase duas horas de viagem, entre ida e volta.
Para muitos praticantes de cricket em território nacional, a chegada do fim de semana é o momento mais aguardado. É nessa altura que conseguem, finalmente, dedicar-se ao desporto que tanto amam e desligar-se das pressões do trabalho e da vida quotidiana. Uns aproveitam o seu descanso semanal, outros fazem uma pausa nas longas jornadas laborais, mas todos partilham a mesma motivação: jogar. O amor ao jogo, porém, exige sacrifícios. “Às vezes, jogamos às oito da manhã em Santarém. Temos de acordar às cinco da manhã. Juntamo-nos todos aqui no Areeiro e vamos”, explica Manjit Singh, 41 anos, jogador dos Gorkha 11, equipa da segunda divisão.
As deslocações implicam um elevado nível de organização e logística. “É necessário levar três carros porque precisamos de muita coisa para jogar. Não é só a bola. Temos cinco ou seis malas grandes e pesadas”, completa o jogador natural do Nepal. Além do esforço físico e das horas de estrada, há ainda o peso financeiro. “Temos de pagar combustível, comida, água. E ainda precisamos de pagar o campo. É muito caro”, sublinha Manjit Singh.
Hafiz Mahmood explica que o campo de Santarém, o único disponível perto de Lisboa, cobra, atualmente, 90 euros por equipa em cada jogo. “Já chegámos a fazer três jogos num dia. Cobraram os três jogos, por isso, eles estão a ganhar muito dinheiro sem fazer nada”, critica o jogador do EU PAK Friendship Cricket.

Poucos apoios para muitas despesas
A conta pesa ainda mais para aqueles atletas que já vivem com dificuldades. “Somos trabalhadores com um rendimento baixo e temos despesas familiares para pagar”, lembra Saqib Younas. O investimento começa logo no próprio equipamento. “Para equipar um jogador, são quase dois mil euros”, afirma Manjit Singh. O colega de equipa, Madhukar Thapa, 42 anos, reforça ainda que o gasto anual para praticar a modalidade ronda os 12 mil euros. Ainda que confrontados com diversas dificuldades, a paixão pela modalidade empurra-os para dentro de campo, sempre que o tempo o permite. “O cricket é como uma religião para nós. Trabalhamos e poupamos dinheiro para o cricket. Às vezes, o cricket vem primeiro do que os filhos e a mulher”, confessa Madhukar Thapa, entre risos. Sentimento esse que é partilhado pelo colega: “A minha mulher está sempre a chatear-me: ‘Onde está o dinheiro?’. Está tudo no cricket”, brinca Manjit Singh.
Quanto à criação de um campo em Lisboa, vários jogadores já se mobilizaram e têm procurado apoio junto das câmaras municipais. Muitos pedem apenas a cedência de um terreno, comprometendo-se a organizar e a construir o campo por conta própria. É o caso de Mian Shahid Mehmood, 49 anos, da equipa da primeira divisão Malo Cricket Club, que revela estar à espera há quase quatro anos por uma resposta da Câmara Municipal de Odivelas.
A frustração surge quando o assunto passa a ser a falta de apoios para a prática desportiva. O International Cricket Council (ICC) é a entidade responsável pela modalidade a nível mundial e organiza as principais competições. Além disso, apoia financeiramente as federações dos diversos países que constam nos rankings da modalidade. Quanto melhor posicionado estiver o país, mais dinheiro recebe. “O ICC paga à Federação [Portuguesa] muito dinheiro”, afirma Manjit, mas Madhukar apressa-se a dizer: “Mas nós não sabemos para onde vai esse dinheiro. Pagamos sempre tudo. Não há transparência.”
A Federação Portuguesa de Cricket considera que os apoios são escassos. “Não temos apoio público, apenas do ICC, e é curto para fazer tudo”, afirma Paulo Buccimazza, gestor de desenvolvimento da modalidade na Federação Portuguesa de Cricket, que reforça ainda que o orçamento atual não chega para assegurar todas as frentes. “Temos os custos da liga e o custo do desenvolvimento para os juniores”, enumera. “É preciso um campo novo, depois um tapete. Cada tapete é uma fortuna”, explica Buccimazza, referindo-se ao relvado sintético específico usado no ‘pitch’. Além disso, lembra que a própria seleção nacional acarreta despesas adicionais com as deslocações para outros países. “Há muitos custos e pouco dinheiro. É esse o problema com o cricket em Portugal”, remata.

Da herança britânica ao ‘boom’ da migração: a evolução do cricket em Portugal
Mas, afinal, como é que o cricket chegou a Portugal? O desporto foi introduzido no início do século XIX, durante a Guerra Peninsular (1807–1813), pelas tropas britânicas estacionadas em Lisboa, que o praticavam como passatempo e tradição militar. Durante mais de um século, o desporto permaneceu praticamente restrito a comunidades ligadas ao Reino Unido e aos produtores de vinho do Porto, mantendo-se um nicho cultural afastado do panorama desportivo nacional.
A viragem começou após 1974. Com a Revolução dos Cravos e o regresso de famílias de origem indiana e moçambicana provenientes de antigas colónias, sobretudo Goa, Damão, Diu e Moçambique, o cricket ganhou um novo fôlego. A fundação da Federação Portuguesa de Cricket, em 1994, seguida da adesão ao International Cricket Council (ICC), dois anos depois, marcou oficialmente o início de uma nova fase. Desde então, Portugal passou a competir em torneios internacionais, o que contribuiu para um maior desenvolvimento do desporto. No ranking mundial da ICC, Portugal ocupa, atualmente, a 43.ª posição, tendo já alcançado a 38.ª em maio de 2024, a melhor classificação de sempre.
Internamente, o cricket conta hoje com duas competições oficiais: a Liga BGA Divisão I e a Liga BGA Divisão II, que reúnem, atualmente, mais de 20 equipas distribuídas entre clubes de Lisboa e do Norte. O crescimento recente da modalidade tem relação direta com as mudanças demográficas no País. Para Paulo Buccimazza, a evolução é irrefutável: há cinco anos, o campeonato nacional contava apenas com cinco equipas. Hoje, participam mais de 20. Uma evolução que o dirigente descreve como “gigantesca” e que acompanha as transformações no país.
A expansão do cricket está diretamente ligada ao aumento da comunidade migrante. Com a chegada de jogadores oriundos de países onde a modalidade é tradicional, o desporto ganhou um novo fôlego competitivo. Dados oficiais da Federação revelam que a esmagadora maioria dos atletas federados provém do sul da Ásia: 197 da Índia, 123 do Bangladesh, 93 do Paquistão e 15 do Nepal, aos quais se juntam nacionalidades como África do Sul (4), Irlanda (1) e Moçambique (1). Os portugueses representam 38 inscritos, uma minoria face ao total de praticantes. Paulo Buccimazza não tem dúvidas: “Com cada vez mais estrangeiros a mudarem-se para Portugal, o jogo começou a crescer.” E estima que cerca de 98% dos atletas a jogar o campeonato nacional sejam de origem estrangeira.
Essa transformação é sentida de forma clara por quem vive o desporto na prática. “Antes, aqui o cricket era muito pequenino, era só para curtir”, recorda Madhukar Thapa, acrescentando que este jogo se tornou mais competitivo em Portugal com o aumento do investimento no desporto. O otimismo é transversal a praticantes e dirigentes. “Nos próximos anos, o cricket vai crescer ainda mais em Portugal”, prevê Muhammad Ahmad Shafiq, 28 anos, jogador dos Punjab CC Amadora. Madhukar Thapa vai ainda mais longe e adivinha um futuro risonho para a Seleção nacional: “Com certeza, dentro de mais quatro ou cinco anos, Portugal também vai jogar o Mundial.”
A ambição é partilhada pelo próprio selecionador nacional, Ayzaz Hussein, que acredita no potencial da sua equipa para dar o salto competitivo. “Temos uma boa base de jogadores. Se fizermos as escolhas certas e jogarmos como equipa, podemos realmente alcançar muito”, defende. Para Hussein, o próximo passo é tentar subir no ranking internacional. “Se conseguirmos chegar ao top 30 nos próximos dois anos, será ótimo. O cricket em Portugal receberá muito mais atenção”, antevê o selecionador das quinas.
Objetivo Mundial 2028
A qualificação para o Mundial de Cricket em 2028, cuja fase de qualificação acontece em agosto deste ano, é o principal objetivo, neste momento, da Federação Portuguesa de Cricket e da Seleção Nacional Portuguesa. Para atingir esse propósito, a federação tem apostado numa estratégia de recrutamento de jogadores já experientes na modalidade, a jogar no estrangeiro. As regras de elegibilidade do ICC definem que um jogador pode representar um país se residir nesse território durante três anos, sem se ausentar por mais de 60 dias por ano. Contudo, Paulo Buccimazza afirma que grande parte dos atletas que veste atualmente a camisola das quinas não vive em Portugal. Jogam em ligas estrangeiras, como, por exemplo, na Inglaterra, Holanda ou Nova Zelândia, devido à maior competitividade e à qualidade das competições nesses países.
Apesar disso, há um esforço constante para equilibrar a equipa e manter uma ligação ao país. O selecionador nacional refere que, embora grande parte do plantel esteja fora de Portugal, cerca de 25% dos jogadores que são chamados à seleção estão ainda sediados em Portugal e participam regularmente na liga nacional, como é o caso de nomes como Ardi, Faf, Konrad e Osama. Ayzaz Hussein sublinha que este equilíbrio é importante para preservar uma identidade nacional no seio da equipa: “Caso contrário, perdemos um pouco da ligação com Portugal”, afirma o líder da equipa portuguesa.

Um futuro risonho…
Apesar das limitações financeiras, Buccimazza garante que a Federação tem ambições claras para o futuro. Entre as iniciativas previstas para este ano, está o lançamento de um campeonato sub-15, que deverá contar com quatro ou cinco equipas. Paralelamente, a Federação está a unir esforços para construir um campo de cricket no Algarve, com o objetivo de viabilizar a criação da chamada “Liga do Sul”.
O dirigente considera que o crescimento da modalidade passa pela expansão da base de praticantes, sobretudo entre jovens e mulheres. “Nos próximos anos, acredito muito mais nos jovens e nas mulheres. Eles podem adaptar-se melhor aos campos que temos. Por exemplo, num campo de futebol, os juniores conseguem jogar”, explica Paulo Buccimazza. Outro fator decisivo para a expansão do cricket em Portugal, segundo o responsável, passa pela criação de campos perto de Lisboa. “Se aparecerem mais dois ou três campos perto da zona de Lisboa, pode haver um impulso ainda maior no jogo. Seria possível lá chegar de metro, comboio ou autocarro. Não é preciso ter viatura própria. Acho que aí haveria um crescimento ainda maior do que o que tem havido nos últimos cinco anos.”
Manjit Singh concorda e vê condições únicas para o desporto florescer a nível nacional: “O cricket não é igual ao futebol. Há mais oportunidades neste desporto para Portugal ser grande.” Como justifica o jogador do Gorkha 11, “ao contrário de Inglaterra, onde o clima limita a prática do cricket a apenas alguns meses, Portugal oferece condições muito mais favoráveis. Graças aos longos períodos de sol, é possível jogar praticamente durante todo o ano, o que torna o país especialmente atrativo para equipas estrangeiras que poderiam deslocar-se para disputar jogos e torneios nos campos portugueses”.
Atrair a comunidade estrangeira e colocar Portugal na rota dos organizadores de torneios é, precisamente, um dos grandes objetivos da Federação. O selecionador nacional adianta que “em outubro do próximo ano, Portugal pretende organizar um evento internacional de cricket. Para tal, será necessário realizar obras no campo de Santarém e obter a colaboração do município e dos órgãos desportivos do país para ajudar com questões logísticas como vistos e autorizações para as equipas participantes”.

… e mais profissional
Exemplo do potencial do cricket em Portugal é Muhammad Ahmad Shafiq, 26 anos, que não se atrapalha quando se apresenta: “Eu sou jogador profissional de cricket”. Natural do Paquistão, já passou por Bangladesh, Emirados Árabes Unidos e Países Baixos antes de chegar ao País. Tem 28 anos e joga cricket desde os 12. O cricket é, sem dúvida, o que mais o fascina. “Está-me no sangue”, diz, entre um riso nervoso. Shafiq representou a Seleção Nacional Paquistanesa no Mundial de 2016, no escalão de juniores, e espera vir a representar a Seleção Nacional Portuguesa, depois de completar três anos de residência em Portugal, em julho do próximo ano.
O jovem paquistanês mudou-se dos Países Baixos para Portugal devido à maior facilidade em obter documentação, mas a estadia em terras lusas não tem sido tão feliz no que ao cricket diz respeito como foi a sua experiência noutros países. Em Portugal, Shafiq trabalha como estafeta para ter rendimentos, pelo que o tempo para o cricket é diminuto, já tendo ficado meses sem conseguir praticar. “Sou um jogador profissional, mas em Portugal não me sinto como tal”, lamenta. Ainda assim, garante que nada abala a sua vontade de vingar no desporto: “A minha mentalidade é de que sou o melhor no cricket. Posso ficar meses ou até um ano sem jogar, que demoro apenas uns dias para ganhar a forma necessária.”
Saqib Younas acredita que, para apoiar talentos e sonhos como o de Muhammad Shafiq e fazer o cricket crescer em Portugal, o caminho começa nas escolas. Introduzir o cricket junto dos mais novos é essencial para Saqib, que considera que a falta de investimento na modalidade advém, principalmente, da ignorância geral que vigora em Portugal acerca do cricket. “Estamos prontos para ir às escolas falar do cricket às crianças e jovens. Queremos levar o cricket a mais gente”, garante o jogador do Panther Cricket. Paulo Buccimazza concorda e reforça que o futuro passa por atrair mais pessoas desde cedo. “Não vejo muito interesse dos portugueses”, reconhece, “mas a melhor maneira de começarem a jogar é terem o primeiro contacto na escola”. Para além dos estabelecimentos de ensino, Saqib Younas pede que seja dada mais visibilidade ao cricket na comunicação social, num país em que o futebol monopoliza recursos, atenção e patrocínios.

A seleção feminina chegou, viu e venceu
Apesar de fazer parte do ICC desde 1996, Portugal nunca tinha tido uma equipa feminina. Até que, em 2024, uma mensagem no Instagram começou um processo que levaria Portugal a chocar o mundo do cricket nos seus primeiros jogos oficiais de sempre. “Eu tinha absolutamente zero interesse em voltar a jogar cricket”, confessa Sarah Foo-Ryland, a primeira e atual capitã da seleção nacional.” Tudo começou quando a antiga capitã da seleção inglesa de sub-21, agora com 45 anos e a viver em Portugal há dez, estava em Manchester a assistir ao The Hundred. Uma amiga que a acompanhava disse-lhe que havia cricket em Portugal, mas não acreditou. Depois de uma pesquisa rápida nas redes sociais, essa mesma amiga enviou uma mensagem do telemóvel de Foo-Ryland para a conta do Portugal Cricket e, em menos de uma hora, Sarah estava em contacto com Conrad Greenshields, jogador da seleção masculina, que a apresentou a Paulo Buccimazza.
Depois de um período a treinar a equipa masculina do Oeiras CC, Sarah Foo-Ryland rapidamente percebeu que, se quisesse, estaria elegível para representar Portugal internacionalmente, por já residir no país há mais de três anos. Ao ser confrontada com a proposta de ser a primeira capitã da seleção nacional, Sarah Foo-Ryland rejeitou. “Disse que não havia hipótese nenhuma porque, neste ponto, eu não estava em forma para jogar cricket”, recorda. A atleta já que não jogava desde 2003, altura em que fraturou a coluna, lesão que a obrigou a terminar a carreira.
A ideia ficou-lhe, no entanto, na cabeça. “Eu estava tão apaixonada pela história que fui comprar um taco de brincar a uma loja desportiva e estava em casa a atirar uma bola de ténis contra a parede e a ver se ainda conseguia acertar na bola com o taco”, conta, bem-disposta. Depois de se certificar que ainda conseguia, de facto, acertar na bola, Sarah aceitou a proposta de Paulo Buccimazza e tornou-se capitã da seleção nacional.
Três a quatro meses depois, Portugal estava a entrar em campo pela primeira vez num jogo oficial, contra a Noruega, nos European Cricket Internationals, realizados em Santarém em abril de 2025. No final do fim de semana, a seleção nacional venceu ambas as séries (T10 e T20) por 4-0 e 2-1, respetivamente. Apesar de ser a capitã, Foo-Ryland atribui muito do mérito desta conquista a Cri-Zelda Brits, antiga capitã da seleção da África do Sul, que foi nomeada a melhor jogadora do torneio. “Se não fosse a Cri-Zelda, isto não teria tido o sucesso que teve porque ambas vimos de um background muito profissional. Então, estabelecemos logo a nossa intenção no início, que foi de abordar isto como uma equipa completamente internacional e de nos comportarmos como tal”, revela.
No final de tudo, Sarah Foo-Ryland confessa, com alguma mágoa a transparecer na voz, que a equipa empreendeu esforços para chamar a atenção dos meios de comunicação social para esta conquista, que considera ser “um milagre”. “Tentámos contactar a imprensa para dizer: ‘Olhem o que nós fizemos. Esta é a primeira equipa internacional feminina e ganhámos’. Ninguém se interessou.”
